Prof. Dr. Manuel Maria Carrilho volta ao Colégio

            Duma família de alta burguesia, seu pai era então o governador civil do Distrito de Viseu, Doutor Manuel Maria Carrilho nasceu em 1951 naquela cidade do Viriato. Frequentou o liceu da sua terra Natal até aos 15 anos e em 1966 veio para o Colégio de Lamego, momento muito contorvado da sua vida, pois foi obrigado por seu pai a vir enfileirar na disciplina rígida do Colégio de Lamego e habitar os quartos da “Velha Sibéria”, porque se tinha distraído na rebeldia da sua adolescência e ia aderindo a grupos de contestação ao Estado Novo, sacrilégio para seu pai e família, amigos íntimos do Professor Doutor António Oliveira Salazar.

            dr carrilhoRumou até Lisboa a cursar filosofia. Na Universidade Nova licenciou-se, doutorou-se e imbuiu-se altamente na modernidade da ciência e numa filosofia política de esquerda. Passou por vários centros internacionais do rigor do pensamento, como Bruxelas e Paris. Atingiu o alto patamar da sabedoria, escreveu vários livros, foi Ministro da Cultura do governo de António Guterres, depois foi para o Parlamento Europeu. Deixa o seu nome ligado, à formação filosófica do secundário, nos critérios da verificabilidade – confirmabilidade, com o seu livro “A Filosofia das Ciências”, Editorial Presença, ao escrever: “O Extraordinário desenvolvimento da ciência moderna levou entretanto à identificação da indução como chave do seu sucesso, dando assim origem a uma das mais fortes conceções da filosofia das ciências…”

            Agora, fez pausa, no seu modernismo e bem- estar da capital; desce ao Colégio de Lamego, trajando vestes dum rapaz chique, identificando-se como um dos atuais alunos, a retomar o fio da meada de toda a sua cultura desde os primórdios.

            Apresentou-se diante de um numeroso auditório, constituído pelo secundário, especialmente 70 alunos do 12º ano, que são nada menos como a geração mais brilhante que por aqui passou e fez uma perfeita filosofia da história do período da crise económica que atualmente vivemos.

            Aplaudido por todos e admirado pela sua alta personalidade e rigor dialético, começou por recordar e saudar o Colégio de Lamego. “Como é bom ter o privilégio de regressar aos sítios que nos formaram. Sem família, sem irmãos, foi o momento decisivo da descoberta do mundo interior, a experiência da solidão fez- me pensar no mundo e na sua beleza. Abandonado e só aproximou-se de mim o professor de filosofia, Padre Jorge Ferreira, bom conselheiro, sendo momento capital do meu recomeço…”

            Altamente conhecedor do momento atual, embrenhado no sistema politico da oposição, cheio de alternativas para mudar o rumo desta juventude afastada totalmente deste sistema de democracia atual, para quem o 25 de Abril não passa de um mero feriado. “Clicar não é formar” dizia ele. Apelou aos valores neste momento de crise, olhar o mundo e compreender que estamos mergulhados na resignação da maior crise mundial no após-guerra. Vivemos o paradigma do consumo, o vício do telemóvel e do carro. Falou de tudo um pouco, desde a Revolução Industrial, plano Marshall, deixando à jovem plateia ideias muito positivas para um futuro que terá mesmo que passar pelo sofisma de crescimento e austeridade da vossa geração que nunca conheceu o mal estar e a dor do não ter.

            Efusivamente aplaudido passou ao diálogo com os alunos, muito rico, pois mostrou toda a sua experiencia, saber, e clarividência de mestre nos problemas atuais. E foi mais uma grande jornada de Percursos de Vida, instituído pelos Antigos Alunos do Colégio. Os atuais agradecem e reconhecem o valor de muitos que por aqui passaram.

Pe. Abel Matias

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