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João Calvão volta ao Colégio

É um encanto escrever sobre este miúdo que o vi crescer e fazer-se homem, entre a escoldr calvaoa Claustral do Mosteiro de Singeverga, o Colégio de Lamego e a Universidade de Coimbra, onde hoje é catedrático de Direito. Veio ao seu Colégio, no encanto da simplicidade que sempre o caracterizou, em “Percursos de Vida”, pela mão do Presidente da A.A. Alunos do Colégio de Lamego, Dr. José Alberto Marques, falar aos atuais companheiros dos problemas e dificuldades que vão encontrar no mundo do trabalho. Durante o encontro, nunca puxou dos seus distintíssimos galões académicos nem do sucesso da sua vida política em “part-time”. Aguentou o mesmo nível das grandes figuras dos ex-alunos que por aqui têm passado, fasquia já tão elevada, impossível de ser ultrapassada, porque os que por aqui passaram atingiram o brilho da Lua.

À leia de Tony Carreira “que canta o menino nascido numa pequenina aldeia perdida na Serra”, João Calvão começou a contar uma linda história de encantar, de uma também pequenina aldeia de Montalegre, onde nasceu em 20-02-1952, filho de agricultores que trabalhavam de Sol a Sol, em via-sacra de amor pelos filhos, musculados pela força da enxada que cava a terra dura. Noite dentro, ao som do piar das aves esquisitas próprias daquela região Barrosã, comiam uma malga de caldo reforçada com chouriço transmontano, lavavam os pés, rezavam o terço e deitavam-se nos lençóis brancos da honestidade. Em 1964, concluída a primária, bateu às portas do Mosteiro de Singeverga para iniciar os estudos como candidato à vida monástica, agigantando-se aos demais pela sua estatura, perfil, inteligência e classe desportiva, mais concretamente o futebol. Concluído o nono ano, em 1968 ruma ao Colégio de Lamego matriculando-se no último patamar liceal, o secundário. Aqui no Colégio, foi o encontro com ele próprio, numa reflexão profunda vocacional, por vezes dolorosa, entre o Mosteiro e academia Coimbrã, optando pela cidade do Mondego, bem conhecedor, certamente, do romance de Standhal, “Le Rouge et le Noir”. Foi seu Mestre o saudoso Padre Tomás Archer, de feliz memória.

Num eterno regressar vem às suas origens, falar de si, das suas experiências vividas aos alunos do secundário. Um autêntico livro aberto, o catedrático e o político brilhante, volta a ser aluno do Colégio, descendo do patamar da Excelência a dialogar com simplicidade e magia, com os seus companheiros mais novos. Que sorte terão os seus alunos com um Professor destes! Então João Calvão fala desde os alicerces, lugar de grande memória Sagrada que pautaram toda a sua vida pelo rigor metodológico do trabalho, pela seriedade nos valores da sua vida e dos verdadeiros mestres que aqui encontrou. O Colégio foi uma lição que comandou toda a sua vida e do Mosteiro onde esteve ligado 8 anos interiorizou o “ora et labora” beneditino, reza e trabalha alicerces de todo o seu sucesso profissional. É claro se tivesse optado pela vida monástica, rezaria mais e trabalharia menos, assim na vida académica trabalha mais e reza menos. Mas também reza! Que saudades das partidas de futebol, da Sibéria, dos cheiros e odores do velho Colégio, das carteiras de madeira, dos “porretas pá” do Padre Jorge, do Orfeão, das novenas do mês de maio, do quelho, caminho rápido de fuga para a cidade, enfim, deste Colégio onde o tempo que passa não envelhece! Disse o doutor professor João Calvão.

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