Homem talentoso, orgulho do Colégio e cidade de Lamego

    laranjoA Associação dos Antigos Alunos do Colégio de Lamego – AAACL  -  na pessoa do seu Presidente, Dr. José Alberto, concebeu a feliz ideia de chamar até nós personagens em  destaque, nas várias esferas da vida social, e que frequentaram o Colégio de Lamego. Vêm falar-nos das suas experiências e saber, na vida profissional em que estão inseridos. Depois de Armando Mansilha –  professor universitário e médico cirurgião  cardiovascular – chegou a vez de Francisco Laranjo, mestre consumado na área das Belas Artes.

Foi no dia 13, do mês corrente, que tivemos o ensejo de o ter connosco para nos contar um pouco do seu “Curricullum vitae” e da sua vasta experiência no mundo das artes. Disse, com a maior ênfase, da importância que teve, para ele,  a sua passagem pelo Colégio de Lamego. Referiu-a como um dos casos raros, pois aqui fez todos os estudos básicos, desde a instrução primária até à entrada na universidade. Falou do muito que aprendeu, devido à competência e o muito saber dos professores, referindo ainda a disciplina e os bons hábitos de trabalho  que adquiriu, alicerce indispensável para a vida que, ainda hoje, felizmente, conserva.

Na sua serenidade de pessoa calma,  voz  pausada e palavras bem pensadas e medidas, (faceta que o caracteriza), tratou com mestria e total segurança dos assuntos da sua especialidade: o que foi e é na vida, das experiências e aprendizagem, dos conhecimentos que foi adquirindo nos contactos com outros povos e culturas; respondeu ainda a todo o tipo de perguntas a que o submetemos.

Entretanto, parece-nos ser da mais elementar exigência que, neste espaço, possamos referir algo mais do seu rico percurso artístico, do estilo que lhe é peculiar e das várias actividades que exerce na área do ensino. Ele é, efectivamente, e sem sombra de dúvidas, figura marcante da cultura  portuguesa   e um dos maiores expoentes das artes plásticas, em Portugal.

Francisco Artur de V. Tomé Laranjo  nasceu em Lamego, em 1955. Licenciado pela ESBAP, em 1978, foi bolseiro, em pós – graduação, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Junta Nacional de Investigação Científica, no Porto, Holanda e Egipto. Foi ainda bolseiro do Instituto Goeth, de Dresden, na Alemanha. Exerce funções de professor universitário, associado, e  é o actual Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Conferencista de renome, tem exercido também funções de professor convidado em universidades, como: Bilbao, Otawa, Alexandria, Sófia e Paris. Sendo aluno da grande figura das artes – mestre Júlio Resende –  recebeu  dele uma forte influência, na vertente expressionista da arte contemporânea.  Com ele trabalhou, já depois de licenciado, na qualidade de professor e seu assistente.

Personalidade de inquestionável valor artístico, Francisco Laranjo expõe, regularmente, desde 1979, em exposições individuais e coletivas, em Portugal e no estrangeiro. Dada a sua universalidade  de  conhecimentos e o seu reconhecido valor, na esfera das artes,  é da maior justiça que sejam citados países onde habitualmente expõe e aos quais leva o nome de Portugal,  como:   Holanda, Bélgica, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Dinamarca, Canadá, Brasil, India, China, Coreia, e à  maioria dos países da América Central e do Sul. Assim tem representado Portugal além fronteiras, partilhando, com outros  povos e culturas, o valor das suas criações.  Já entrou, por mérito próprio, na lista das grandes figuras portuguesas da arte contemporânea, ao lado do seu mestre e admirador Júlio Resende, e outros, como Júlio Pomar, Nadir Afonso, Graça Morais, Manuel Cargaleiro, Irene Vilar, Paula Rego e Amadeo de Sousa Cardoso.

Pintor do belo, consegue, por vezes, registar o que escapa à maioria. Pinta o seu mundo com cores e formas abstractas, onde os azuis e vermelhos, misturados a formas vegetais, resultam em fortes composições. Diríamos ser  “um pintor com uma paleta cheia de sol”. Para o nórdico e conceituado  crítico de arte – J. VAN KUYK -   “a pintura de Francisco Laranjo ilumina uma parede e inspira confiança para começar um novo dia.   Pinta a simplicidade da vida com todos os seus mistérios.” É bem o pintor da vida, embora misterioso e, em certo sentido, inatingível.   Em Francisco Laranjo, o ensino é também uma das suas paixões. Depois do seu empenhamento institucional, como professor assistente e depois associado, nas Belas Artes, desenvolveu a área científica e pedagógica, com evidentes capacidades de formar e integrar equipas, coordenando grupos disciplinares. Mostra dedicação ao ensino e à gestão, cultivando qualidades pedagógicas e um bom relacionamento com os alunos.  Na sua opinião diz    “ter aprendido muito com os alunos. O objectivo do professor é fazer com que o aluno vá mais longe do que o professor. Isso é o que tento fazer, diz. O ensino é uma porta aberta para muitos lugares que pensávamos fechados”.

De forma inequívoca e segura, Francisco Laranjo afirma que, na arte, há lugar para todas as manifestações do espírito. Reconhece, entretanto, e com certa mágoa, haver pouca tolerância neste campo, na aceitação da diferença, quanto às muitas formas artísticas  de expressão. As diferenças são necessárias. São sempre  de  excluir obediências cegas e irredutíveis a conceitos, considerados por muitos como únicos, capazes de tolherem a criatividade e a liberdade de expressão, consoante a capacidade de cada qual.

Embora misterioso e, em certa medida, inatingível, Francisco Laranjo é bem o pintor da vida.

Paulino L. de Castro, OSB

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