Dr. Agostinho Santa volta ao Colégio

agostinho santa

Não é verdade Agostinho Santa, no teu regresso ao Colégio em “Percursos de Vida” falar aos teus colegas mais novos, brilhantemente, emocionado com uma saudade de 40 anos, subir os degraus do mesmo patamar de excelência dos teus antecessores que aqui vieram com a mesma missão que tu, o fizestes como de uma coisa sagrada se tratasse?

É verdade sim. Agostinho Santa, de rosto terroso e telúrico, porque os granitos do Alvão o viram nascer em Vila Pouca de Aguiar, aqui veio, simples, despido de todos os atributos que a alta sociedade lhe confere, poeta, escritor advogado, inspetor máximo de ensino, atualmente deputado da Assembleia da Republica, com futuro promissor, chegastes, simplesmente, ao Colégio, “Onde estudei, rezei, fi z amigos e joguei Voleibol”, passar um dia com os colegas mais jovens, ele que foi o aluno mais distintos 1973/74.

Agostinho Santa começou por dizer “Sou o melhor porque vesti a camisola do Colégio de Lamego, sempre segui e pautei a minha vida pelas normas e princípios que aqui aprendi, amizade, tenacidade, trabalho, humanismo, respeito pela dignidade humana, e foi isto que transmiti aos outros em trabalhos altamente sociais. Comecei por ser professor de meninos dos 6 aos 10 anos e, se soubesse o que sei hoje, nunca sairia dali, daqueles balbucios de candura fascinante!”

É um encanto desfolhar livros de autoria de Agostinho Santa, principalmente poesia, em Afetos e Tábuas de Mistérios, “a dedilhar entardeceres e a ouvir sons do silêncio do Douro, queixumes de xisto sobre o ranger das botas abafado suspiro ansiado de cestos e costas a escorrer mel, pedaços de risos, aromas de sorrisos candências de cansaços, murmúrios de bagos na emulação do mosto”. A sua poesia desliza naturalmente em catadupa ao correr da pena “Corre-me um rio bravo, indomável, impossível mergulho”. É um poeta nato nos encantos do Douro, o discípulo mais fi dedigno de Miguel Torga.

Depois de um almoço repousante, com os seus antigos formadores e mestres, não faltando o tão apreciado Licor de Singeverga, visitou os lugares mais marcantes da sua vida, capela, velhas carteiras, olhou a imagem de Nossa Senhora a emergir de entre árvores seculares em frente à fachada principal do Colégio e, depois de uma despedida carinhosa, lá se foi á vida, nada fácil, que a espera, mas sempre com um pequenino Principezinho, a pensar na sua flor, o velho Colégio, casa de solicitude e de cuidança dos seus dezasseis e dezassete anos!

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