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padre avelino  Diretor
  Pe. Avelino Silva-OSB

 

OSB

A educação consiste em levar o homem a tornar-se cada vez mais homem, a poder ser mais e não só a poder ter mais. Consequentemente, a que, através de tudo o que tem e de tudo o que possui, saiba ser mais plenamente homem com os outros e para os outros.” A semente não germina ou não se desenvolve convenientemente, mesmo sendo boa, quando o ambiente não é propicio ou o encarregado do campo o esquece. A vitalidade da planta vem da semente, mas está condicionada pela terra boa ou má e pelo cuidado de quem a trata. Não depende tanto dos outros como o homem: antes durante e depois do nascimento. O homem, sendo social por natureza, só em sociedade se pode desenvolver como homem.(“O menino selvagem” de Truffaut) Por isso, e este o terceiro aspecto, o ambiente e os educadores que rodeiam o educando têm uma importância incalculável no processo educativo.

Homem talentoso, orgulho do Colégio e cidade de Lamego

    laranjoA Associação dos Antigos Alunos do Colégio de Lamego – AAACL  -  na pessoa do seu Presidente, Dr. José Alberto, concebeu a feliz ideia de chamar até nós personagens em  destaque, nas várias esferas da vida social, e que frequentaram o Colégio de Lamego. Vêm falar-nos das suas experiências e saber, na vida profissional em que estão inseridos. Depois de Armando Mansilha –  professor universitário e médico cirurgião  cardiovascular – chegou a vez de Francisco Laranjo, mestre consumado na área das Belas Artes.

Foi no dia 13, do mês corrente, que tivemos o ensejo de o ter connosco para nos contar um pouco do seu “Curricullum vitae” e da sua vasta experiência no mundo das artes. Disse, com a maior ênfase, da importância que teve, para ele,  a sua passagem pelo Colégio de Lamego. Referiu-a como um dos casos raros, pois aqui fez todos os estudos básicos, desde a instrução primária até à entrada na universidade. Falou do muito que aprendeu, devido à competência e o muito saber dos professores, referindo ainda a disciplina e os bons hábitos de trabalho  que adquiriu, alicerce indispensável para a vida que, ainda hoje, felizmente, conserva.

Na sua serenidade de pessoa calma,  voz  pausada e palavras bem pensadas e medidas, (faceta que o caracteriza), tratou com mestria e total segurança dos assuntos da sua especialidade: o que foi e é na vida, das experiências e aprendizagem, dos conhecimentos que foi adquirindo nos contactos com outros povos e culturas; respondeu ainda a todo o tipo de perguntas a que o submetemos.

Entretanto, parece-nos ser da mais elementar exigência que, neste espaço, possamos referir algo mais do seu rico percurso artístico, do estilo que lhe é peculiar e das várias actividades que exerce na área do ensino. Ele é, efectivamente, e sem sombra de dúvidas, figura marcante da cultura  portuguesa   e um dos maiores expoentes das artes plásticas, em Portugal.

Francisco Artur de V. Tomé Laranjo  nasceu em Lamego, em 1955. Licenciado pela ESBAP, em 1978, foi bolseiro, em pós – graduação, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Junta Nacional de Investigação Científica, no Porto, Holanda e Egipto. Foi ainda bolseiro do Instituto Goeth, de Dresden, na Alemanha. Exerce funções de professor universitário, associado, e  é o actual Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Conferencista de renome, tem exercido também funções de professor convidado em universidades, como: Bilbao, Otawa, Alexandria, Sófia e Paris. Sendo aluno da grande figura das artes – mestre Júlio Resende –  recebeu  dele uma forte influência, na vertente expressionista da arte contemporânea.  Com ele trabalhou, já depois de licenciado, na qualidade de professor e seu assistente.

Personalidade de inquestionável valor artístico, Francisco Laranjo expõe, regularmente, desde 1979, em exposições individuais e coletivas, em Portugal e no estrangeiro. Dada a sua universalidade  de  conhecimentos e o seu reconhecido valor, na esfera das artes,  é da maior justiça que sejam citados países onde habitualmente expõe e aos quais leva o nome de Portugal,  como:   Holanda, Bélgica, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Dinamarca, Canadá, Brasil, India, China, Coreia, e à  maioria dos países da América Central e do Sul. Assim tem representado Portugal além fronteiras, partilhando, com outros  povos e culturas, o valor das suas criações.  Já entrou, por mérito próprio, na lista das grandes figuras portuguesas da arte contemporânea, ao lado do seu mestre e admirador Júlio Resende, e outros, como Júlio Pomar, Nadir Afonso, Graça Morais, Manuel Cargaleiro, Irene Vilar, Paula Rego e Amadeo de Sousa Cardoso.

Pintor do belo, consegue, por vezes, registar o que escapa à maioria. Pinta o seu mundo com cores e formas abstractas, onde os azuis e vermelhos, misturados a formas vegetais, resultam em fortes composições. Diríamos ser  “um pintor com uma paleta cheia de sol”. Para o nórdico e conceituado  crítico de arte – J. VAN KUYK -   “a pintura de Francisco Laranjo ilumina uma parede e inspira confiança para começar um novo dia.   Pinta a simplicidade da vida com todos os seus mistérios.” É bem o pintor da vida, embora misterioso e, em certo sentido, inatingível.   Em Francisco Laranjo, o ensino é também uma das suas paixões. Depois do seu empenhamento institucional, como professor assistente e depois associado, nas Belas Artes, desenvolveu a área científica e pedagógica, com evidentes capacidades de formar e integrar equipas, coordenando grupos disciplinares. Mostra dedicação ao ensino e à gestão, cultivando qualidades pedagógicas e um bom relacionamento com os alunos.  Na sua opinião diz    “ter aprendido muito com os alunos. O objectivo do professor é fazer com que o aluno vá mais longe do que o professor. Isso é o que tento fazer, diz. O ensino é uma porta aberta para muitos lugares que pensávamos fechados”.

De forma inequívoca e segura, Francisco Laranjo afirma que, na arte, há lugar para todas as manifestações do espírito. Reconhece, entretanto, e com certa mágoa, haver pouca tolerância neste campo, na aceitação da diferença, quanto às muitas formas artísticas  de expressão. As diferenças são necessárias. São sempre  de  excluir obediências cegas e irredutíveis a conceitos, considerados por muitos como únicos, capazes de tolherem a criatividade e a liberdade de expressão, consoante a capacidade de cada qual.

Embora misterioso e, em certa medida, inatingível, Francisco Laranjo é bem o pintor da vida.

Paulino L. de Castro, OSB

Dr. Armando Mansilha volta ao seu Colégio

mansilhaAgora, plenamente realizado, casado, pai de dois filhos, o jovem médico-cirurgião, o Professor-Doutor, o Homem total de Leonardo Da Vinci, que atinge, aos 42 anos, o mais alto patamar da fama e do profissionalismo, tanto a nível nacional como internacional.

Com mais de 40 páginas na Internet, com louvores e menções honrosas pelos serviços prestados à medicina em cirurgia cardiovascular. Quantos Cristianos Ronaldos, não vale um médico destes! Verdadeiros sacerdotes que no silêncio quotidiano sem grandes alaridos se vão consumindo como velas dum altar, em serviço dos outros, os pobres de Javé, os que sofrem em silêncio, o doente, o próximo de que Cristo fala no seu Evangelho como primeiro e maior dos mandamentos, escrevendo páginas e páginas num diário, bordado a franjas de ouro com o bisturi da caridade, paramentados com a impoluta bata branca, hábito da sua Ordem Médica. Graças ao dinamismo da A. Antigos Alunos que, conscientes das dificuldades da nossa juventude na opção profissional, idealizaram uma série de palestras, por pessoas de renome e sucesso, a fazerem luz e orientarem os caminhos dos nossos atuais alunos. Abriu esta plêiade de ilustres, o Doutor Armando Mansilha que, da vizinha cidade da Régua, menino de bem, chega ao Colégio de Lamego aos 9 anos de idade, no primeiro dia de Outubro de 1978 e, concluído o ensino secundário, em 1986, abalou até à faculdade de Medicina do Porto. Sempre excelente aluno, admirado por professores, companheiros e empregados pelo seu aprumo cívico e educação esmerada.

Encantou o auditório do salão de festas, cheio duma juventude a oscilar entre os 15 e 18 anos, durante uma hora e meia, numa articulação perfeita entre o logos e o ethos, na sua elegância de professor universitário da Faculdade onde se formou. Embeveceu os seus antigos mestres. Começou a sua palestra dialogante com a oração do médico Inglês Sir Robert Hutchinson e terminou com palavras do mítico médico guerrilheiro Che Guevara. Abriu e citou com emoção o livro do Juramento de Hipócrates, patrono dos médicos, eminência de uma Bíblia Sagrada, em defesa da vida e da irmandade entre médicos. Que classe! Não cansou! Falou do Colégio de Lamego, seu agro nativo, onde cresceu, maturou e se fez homem, como dum sacrário de altar se tratasse! Convenceu! Em passa palavra dizia-se, à saída, foi brilhante. Felizes os doentes e alunos que têm assim um Mestre, o bom samaritano, que trata as feridas do pobre espancado e abandonado na berma da estrada da parábola de Cristo. Volta sempre, Armando, é que isto de ter sido aluno do Colégio de Lamego abre uma ferida que nunca mais cicatriza.

Do teu ex-professor Padre Abel Matias

Dr. Francisco Brizida

brizidaNo passado dia 24 de Fevereiro o Colégio de Lamego e seu respetivo corpo docente teve o prazer de receber (novamente) em sua casa o Exmo. Sr. Dr. Francisco Brizida, antigo aluno da respetiva instituição e atual detentor do cargo de magistrado. Terá sido sem dúvida pertinente a sua presença na medida em que nós, jovens, estaríamos curiosos não só no esclarecimento de quais as bases de um curso de direito, como também na explicação de determinados assuntos a nível da justiça.

Primeiramente, é de considerar que sendo a justiça portuguesa regida por um conjunto de normas e leis às quais, formalmente, se atribui o nome de Constituição da República Portuguesa, seria de certo modo obrigatória uma referência à mesma. Assim sendo, a sessão terá iniciado com uma breve alusão ao anteriormente mencionado e, desta forma, a interpretação desta mesma alusão terá facilitado não só a compreensão de como funciona a justiça em Portugal, como também o esclarecimento a nível das matérias que necessariamente serão adquiridas por um aluno que siga tal área.

De seguida, a palestra ter-se-á debruçado em casos concretos não só abordados a nível dos mass media, como também em próprias experiências vivenciadas pelo Sr. Dr. Francisco Brizida. Assim sendo, terão sido referidas situações que, de certa forma, questionariam a ética e o sentido de justiça de cada indivíduo presente, tal como tantas polémicas vivenciadas na televisão o fazem.

E, como consequência de tal, terá crescido um espírito de diálogo mais ativo entre o auditório e o orador. Assim sendo, o Colégio de Lamego pôde contar com a intelectualidade do seu antigo aluno, na medida em que o mesmo terá sido exímio no esclarecimento das mais diversas questões apresentadas pela plateia.

Deste modo, gostaria de agradecer não só ao Sr. Dr. Fernando Brizida pela sua disponibilidade e simpatia demonstrados aquando da sua visita ao Colégio, como também à Associação de Antigos Alunos do Colégio de Lamego que tanto tem feito por nós, alunos desta mesma instituição. Estaremos sem dúvida eternamente gratos.

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